Portal do Governo Brasileiro
Período Personalizado
Selecione a partir de qual data podem aparecer as buscas
até
Selecione até qual data podem aparecer as buscas
Fonte: Ministério do Esporte

Atletas esperam que Paralimpíadas façam pessoas com deficiência saírem de casa
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2016

Para o esporte paralímpico brasileiro, o resultado final dos Jogos Rio 2016 vai além dos pódios e das comparações de campanhas. O principal legado para os atletas do país será fazer com que as pessoas com deficiência saiam do sedentarismo e comecem a praticar esporte. Medalha de prata nos pares da classe BC4 da bocha nas Paralimpíadas no Brasil, após quatro ouros no individual e por equipes em Pequim 2008 e Londres 2012, Dirceu Pinto é representante de uma modalidade que reúne atletas com algumas das paralisias mais severas. Nem por isso, eles se resignaram a ficar em suas casas.



?O número de atletas no Brasil vai aumentar. Nós já temos várias pessoas nos procurando para fazer o esporte paralímpico e acredito que daqui a quatro anos o Comitê Paralímpico Brasileiro vai ter uma dificuldade muito grande para escolher quais atletas levar para Tóquio?, opinou Dirceu, que tem uma doença muscular degenerativa. Para ele, a maior divulgação na mídia sobre as competições despertará o interesse das pessoas. ?A informação de que existe esporte de alto rendimento para os deficientes, graves ou não, chegou às famílias brasileiras. Acredito que agora eles vão sair de casa?.



Reclusão que era vivida por Evelyn Vieira, também da bocha, e que foi medalhista de ouro por equipes na classe BC3 nos Jogos do Rio. ?Eu sou um exemplo disso. O esporte foi uma ferramenta transformadora na minha vida. Eu vivia essa realidade da pessoa com deficiência dentro de casa, só família e estudo, sem muito contato com a sociedade. Quando passei a praticar o esporte descobri que os limites que eu acreditava que tinha, na verdade não existiam, e passei a superá-los?.



Uma grata surpresa para o time da bocha brasileira foi a visita da ex-ginasta e praticante de esportes na neve, Laís Souza, que ficou tetraplégica após um acidente enquanto treinava para as Olimpíadas de Inverno em Sochi 2014. Ela foi à Arena Carioca 2 assistir a uma partida da modalidade e gostou do que viu. ?Ela tem um espirito de atleta. Ela aceitou o nosso convite e fez o teste com a calha da Evani (a calha é o instrumento utilizado para que os atletas com comprometimentos mais severos realizem os arremessos)?, explicou Dirceu. ?Acredito que logo ela estará representando o nosso país. Mas vamos supor que ela só ficasse em casa vendo a vida passar, nós perderíamos uma atleta. Outras pessoas viram e também vão praticar as diversas modalidades?, projetou.



O caso da Grã-Bretanha, que reúne um conjunto de países (Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales) competindo sob a mesma bandeira, é emblemático. Menos de um ano após sediar os Jogos de Londres 2012, a nação teve um aumento de mais de 30% no número de praticantes em algumas modalidades paralímpicas (hipismo, 33%; goalball, 31%; ciclismo, 25%; bocha, 23%; natação, 20% e; vôlei sentado, 20%, são os principais exemplos).



O resultado foi que os britânicos, que já haviam conquistado um excelente resultado em casa, terminando em terceiro com 120 medalhas (34 ouros, 43 pratas e 43 bronzes), nos Jogos Rio 2016 melhoraram o desempenho e ficaram em segundo com 147 pódios (64 ouros, 39 pratas e 44 bronzes). ?O sucesso nos Jogos do Rio começou depois que as pessoas acompanharam de perto as competições em Londres e isso despertou essa paixão pelo esporte. A gente tem visto mais acesso à prática do esporte. Muitas pessoas vieram falar comigo e disseram que após os Jogos ficaram motivadas a praticar alguma atividade, porque há tempos não se exercitavam?, revelou Karen Bradley, secretária de Estado para Esporte e Cultura britânica.



Outro ponto importante foi como os próprios deficientes passaram a enxergar a sua condição. ?As pessoas com deficiência viram que elas também poderiam se tornar aqueles seres humanos que faziam coisas incríveis no esporte. Elas viram de perto e passaram a ter certeza que o país inteiro era acessível a elas?, opinou Bradley. No dia Nacional Paralímpico britânico de 2013, uma pesquisa foi feita com 18 mil pessoas e 37% dos entrevistados disseram que foram inspirados a fazer um esporte que não praticavam anteriormente como consequência direta da data, na qual é realizada diversos eventos.


Link: http://www.esporte.gov.br/index.php/ultimas-noticias/209-ultimas-noticias/56843-atletas-esperam-que-paralimpiadas-facam-pessoas-com-deficiencia-sairem-de-casa/