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Fonte: Instituto de Pesca - APTA - Sec. de Agr. e Abast. - SP

APTA realizará I Encontro Regional de Piscicultores do Vale do Ribeira
Quarta-feira, 21 de Setembro de 2016

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Polo Regional de Pariquera-Açu da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), realizará o I Encontro Regional de Piscicultores do Vale do Ribeira, em 22 de setembro de 2016. O evento conta com a parceria do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) de Registro, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), do Campus de Registro da Universidade Estadual Paulista ?Júlio Mesquita Filho? (Unesp) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.



?A ideia é integrar a cadeia produtiva regional da piscicultura. No período da manhã, serão apresentadas quatro palestras no auditório e à tarde serão realizadas atividade em campo em cinco tendas temáticas, com diversas áreas relacionadas à piscicultura?, diz a pesquisadora da APTA, Camila Fernandes Corrêa. O evento tem como público-alvo agricultores familiares, piscicultores, técnicos da extensão rural e alunos de graduação e pós-graduação.



Segundo o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, o evento é importante para transferir tecnologias e conhecimentos para os produtores rurais. ?Umas das diretrizes do governador Geraldo Alckmin é diminuirmos a distância entre a pesquisa e o produtor, principalmente os pequenos?, afirma.



Dicas de manejo alimentar


A pesquisadora da APTA, Camila Fernandes Corrêa, coordenará, em conjunto com o professor e pesquisador da Unesp, Eduardo Antonio Sanches, uma tenda temática sobre o manejo alimentar na piscicultura, que contará com uma aula dinâmica, em que serão apresentadas diversas dicas com materiais demonstrativos como rações e outros ingredientes. Segundo ela, a alimentação é um dos principais componentes no custo de produção de peixes e é de extrema importância que o produtor saiba escolher a ração mais adequada para a sua criação.



?Para uma boa alimentação dos peixes, o produtor precisa conhecer o hábito alimentar e comportamento da espécie que produz. É necessário tomar cuidado com o ambiente em que ficam os peixes, controlando as condições e temperatura da água, para então escolher a ração adequada para o seu sistema de produção?, diz.



Para escolher a ração ideal, o produtor precisa, primeiro, entender o seu sistema de produção e em seguida qual ração é a mais indicada. ?O produtor precisa saber qual tipo de ração é a melhor, a peletizada, que é densa e afunda, ou a extrusada, que é menos densa e flutua. Ele também precisa estar atento ao tamanho da ração (granulometria), que varia de acordo com o tamanho dos peixes, os nutrientes que cada espécie precisa, em cada fase, entre outros parâmetros?, diz Camila.



Depois de o alimento ser escolhido e utilizado, é necessário fazer uma avaliação do desempenho dos peixes com a dieta. Segundo a pesquisadora, esta é a parte mais importante do manejo alimentar. ?Com isso, o produtor pode examinar se os gastos com determinada ração estão compensando, ou se é melhor investir em outra?, diz.



Para ajudar na tomada de decisões, o produtor deve calcular quanto de ração se transformou em peso de peixe por meio da conversão alimentar. Para isso, é feito o cálculo do ganho de biomassa, subtraindo o valor do peso inicial dos peixes do viveiro do valor do peso final. Depois, é preciso dividir a quantidade de alimento fornecido aos peixes pelo ganho de biomassa deles, o que resultará na conversão alimentar.



Para avaliar os resultados de produção, além de a conversão alimentar, o piscicultor pode analisar a velocidade de crescimento dos peixes, a sobrevivência, que está relacionada à sua saúde, e a qualidade da água, no qual se enquadra parâmetros de temperatura, transparência, pH, oxigênio, alcalinidade, entre outros.



De acordo com Camila, fazendo todas essas avaliações, o produtor consegue decidir se algum resultado ruim na produção foi motivado pelo alimento ou pelo manejo. ?É necessário fazer um histórico para avaliar o que já ocorreu e o que está acontecendo, para o produtor decidir o que será feito no próximo ciclo para a obtenção de lucro?, explica a pesquisadora da APTA.



Controle ambiental na piscicultura


Durante o evento, o pesquisador da APTA, Antonio Fernando Leonardo, irá abordar o tema da sobrevivência dos peixes no estande do controle ambiental da piscicultura. ?A região do Vale do Ribeira possui altos índices de predação de peixes em viveiros escavados e isso pode influenciar diretamente a produção final dos piscicultores?, diz.



Segundo Leonardo, o Vale do Ribeira concentra a maior área contínua da Mata Atlântica do País, a presença de aves e mamíferos voadores e aquáticos próximos aos viveiros é constante e, por conta da predação destes animais, a taxa de sobrevivência dos peixes é diretamente afetada.



Entre os ataques mais comuns estão os de aves de hábito diurno e noturno, lontras, que atacam durante a noite, e traíras. ?O que diferencia a forma de predação são os ataques e a classe do reino animal à qual o predador pertence. Para cada um, encontramos uma maneira de dificultar a predação e diminuir os ataques?, diz o pesquisador.



De acordo com Leonardo, as maneiras encontradas para evitar os ataques destes predadores foram à utilização de telas anti pássaros e a aquisição de dois cachorros, para dificultar o ataque das lontras, pois elas se afastam com o cheiro dos cachorros. Nos viveiros escavados, quando esgotados, é necessário evitar poças de água, pois nelas podem conter ovos de traíras ou outras espécies, assim se inicia um novo ciclo com viveiro sem predadores.



Além da explicação desses métodos, o estande contará com dinâmicas de calagem, adubação, instalação das redes e apresentação da técnica de controle biológico.



Aquaponia


No estande de tecnologias aquícolas, o pesquisador da APTA, Fernando André Salles, apresentará o projeto de aquaponia, introduzido pela APTA em São Paulo. O sistema visa a produção em conjunto de hortaliças e peixes, por meio de um sistema de recirculação da água. Com a tecnologia é possível reduzir em até 95% a quantidade de água necessária para a produção de peixe e diminuir em 80% o uso de agrotóxicos aplicados nas hortaliças.



O projeto de aquaponia consiste em utilizar os resíduos do sistema de produção do lambari para o cultivo hidropônico, em que as plantas não têm contato com o solo e são cultivadas em água e/ou substrato, diminuindo a ocorrência de pragas e doenças. ?Na aquaponia, não há necessidade de renovação de água, pois as plantas capturam o excesso de nutrientes. A perda de água dentro de um sistema aquapônico em condições normais se dá unicamente por evaporação e transpiração das plantas. A intensidade da perda varia conforme o microclima onde o cultivo está instalado?, afirma o pesquisador.



A tecnologia que pode ser utilizada por pequenos, médios e grandes produtores, consegue ser adaptada de acordo com as preferências do produtor. ?No sistema aquapônico, é possível produzir qualquer hortaliça de fruta ou folhas, além de outras espécies de plantas de valor econômico, como plantas aromáticas e medicinais. Quanto às espécies de peixes, não há restrição alguma, desde que sejam adaptadas a condições de confinamento, como trutas, tilápias e lambaris?, diz Salles.



O público do evento poderá ver um sistema aqupônico demonstrativo, com finalidade didática. Os participantes terão a oportunidade de vivenciar, na prática, o funcionamento da integração entre a produção de lambarias e hortaliças e plantas aromáticas.


Link: http://www.apta.sp.gov.br/noticias.php?id=5007